CAPS II - Jaraguá do SulPara compreender melhor as formas de atividades desenvolvidas nos CAPS, fui vistar o CAPS aqui da cidade de Jaraguá do Sul. Foi a minha primeira visita a um espaço que atende protadores de transtornos mentais e meu primeiro contato com os mesmos.
Nesta primeira visita confesso que fiquei um pouco apreensiva. Estava com um certo pré-conceito, justamente por não conhecer o lugar e as pessoas. Não sabia o que iria encontrar lá, porém me impressionei bastante com o espaço. Cheguei ao CAPS perto das 8h da manhã e fiquei por lá cerca de 1 hora. Achei o ambiente bem tranqüilo e durante o tempo que permaneci por lá, me deparei com dois pacientes. Um homem e uma mulher. Não cheguei a conversar com eles, mas observei algumas de suas atitudes e o modo como se vestiam. O homem tinha um sorriso estampado em seu rosto o tempo todo e tinha uma aparência boa (no sentido de cuidar de si mesmo). Já a mulher tinha os seus cabelos na frente do rosto (como se estivesse se escondendo) e usava roupas compridas, largas... Não tinha preocupação com a sua aparência - ressalto esta questão pois, na maioria dos casos, os pacientes perdem a vontade de cuidar da sua aparência e de manter os cuidados básicos de higiene. Conforme a colocação dos profissionais e o que eu percebi, os pacientes gostam da "casa" (maneira que tanto eles quanto os profissionais chamam o espaço), e quando terminam o tratamento não querem parar de frequentar o CAPS...
O CAPS II de Jaraguá localiza-se no centro da cidade, numa rua muito tranqüila na qual predomina o uso residencial, afinal, a unidade do CAPS é uma residência (alugada)!
O atendimento prestado funciona de segunda a sexta-feira, das 7h30min às 16h30min.
Todos os dias, até às 8h30min, os usuários podem estar conversando com o médico psiquiatra, Dr. Marcelo Dias.
O CAPS oferece todos os dias atividades terapêuticas, como as oficinas (artes, esportes, recreação, relaxamento, leitura, psicoeducação, alongamento, jardinagem), as atividades de convivência, as reuniões com os familiares e a comunidade, etc.
Horta.
Espaço para atividades em grupo
Cozinha
Todos os profissionais que ali trabalham procuram tratar os usuários como se eles estivessem em casa. O CAPS é considerado como uma segunda casa tanto pelos profissionais quanto pelos usuários. Porém, o Centro de Atenção Psicossocial apresenta diversos problemas quanto a sua estrutura física:
Para a realização de atividades esportivas, falta um espaço adequado, por outro lado, isso acaba proporcionando a saída dos pacientes da "casa" em busca de locais públicos para a utilização, fato este que provoca uma aproximação entre os portadores de trantornos mentais e a sociedade.
Falta um espaço destinado exclusivamente para a implantação de uma farmácia, afinal, os usuários precisam de medicamentos e precisam se deslocar até um posto de saúde, por exemplo...
Esta visita coloborou muito para que eu pudesse melhor compreender as atividades desenvolvidas com os portadores de transtornos mentais, a importância que eles dão ao espaço e aos profissionais. Sem contar a importância de ter uma estrutura adequada para o desenvolvimento das atividades é essencial na reabilitação dos usuários dos Centros de Atenção Psicossocial.